Wednesday, November 19, 2008

O drama do avião


Se a gente considera que há uns tantos anos atrás os caras dependiam dos ventos e de ferramentas de navegação precárias pra cruzar um oceano com suas trombolhudas embarcações... se a gente considera que Moisés levou 40 anos pra cruzar o deserto na direção da terra prometida...

...tudo é questão de ponto de vista, né? Há de haver uma perspectiva positiva possível para compreender o fato de que NENHUM dos vôos dessa turnê transcorreu totalmente sem acidentes!

Falemos de Colombo - Goa. Depois de passar pelas intermináveis burocracias do aeroporto de Colombo (tive que entregar um documento especial dizendo que estávamos levando embora a alfaia da Glória que, por algum motivo, foi considerada importação passível de imposto na nossa entrada no país -- ao contrário de todos os outros instrumentos, que entraram sem problemas -- mas isto já é outra novela...) já na porta de entrada para o avião, as luzes do aeroporto apagam, quase todas, e num corre corre agoniado, em meio a soldados armados, somos todos, em desordenado rebanho, reconduzidos de volta ao saguão de entrada do aeroporto. Todos os passageiros de todos os vôos no saguão do aeroporto. Luzes semi-apagadas. Linhas telefônicas congestionadas. Todos os funcionários do aeroporto tentando ligar para alguém. Informações desencontradíssimas. Um sujeito de um quiosque de câmbio me diz que algum ataque havia acontecido na cidade, e que o aeroporto havia sido apagado por precaução. Outro só fala que faltou luz. Ficamos nesta suspense brava por quase duas horas, até que, com a mesma ausência de explicações que marcou o início do episódio, as luzes do aeroporto são acesas novamente e somos reconduzidos ao portão de embarque, e a nosso avião.

Bom, este foi só o início da novelinha. Chegamos ao gigantesco aeroporto de Mumbai (que na verdade são dois -- um internacional e um doméstico) a tempo de perder espetacularmente nossa conexão e sermos convidados a uma espera de seis horas no aeroporto, tudo isto para tentar a sorte na fila de espera do próximo vôo da Air Índia. A companhia que nos havia levado até ali, SriLankan Airlines, não atendia o telefone.
Bom, pachô, pachô, ponto, ponto...
Vai aqui uma foto feliz da chegada a Goa, desta vez com todas as nossas bagagens (!)!

Tuesday, November 18, 2008

Barefoot - Jazz em Sri Lanka

Algumas das relações mais interessantes e carinhosas que travamos no Sri Lanka foi com músicos do cenário Jazz local, que frequentaram nossos shows, emprestaram instrumentos (para substituir alguns dos desaparecidos) e, no fim, nos convidaram para uma apresentação deles num restaurante/bar/loja simpaticíssimo, propriedade de um Francês (me parece) que é uma espécie de ponto de encontro do Jazz local.

A rapaziada arriscou até um "Manhã de Carnaval", e uma ou outra bossa meio duras, mas, paraí, estamos no Sri Lanka, amigos, Sri Lanka, e nego conhecia Bossa Nova!!!

No final do show, fomos convidados para uma canjinha agradável (e depois ficamos uns minutinhos dando uns toques de música brasileira para os interessadíssimos Srilanqueses!)

Turistadas no Sri Lanka

Correndo atrás do prejuízo aqui, pra contar algumas novidades que já passaram há três semanas, mas que pra maioria das pessoas aí no Brasil ainda são novidades!!! Vai mais um post dedicado a nossas turistadas no Sri Lanka:





Tá aí a Gloria entrando num Tuc-tuc, o meio de transporte mais popular de Colombo. Um irmão um pouco menor e menos buzinador (embora igualmente arrepiante) do indiano rickshaw.







No fim das contas, o grande passeio turístico do Sri Lanka foi realmente a segunda-feira dos elefantinhos. Depois do almoço assistindo ao banho dos paquidermes conseguimos convencer nosso motorista a dar uma esticada até Kandy, a principal cidade turística do Sri Lanka. Kandy foi a capital do império Singalês que conseguiu resistir aos portugueses (século XVI) e depois aos holandeses (século XVII), que ocuparam toda a zona costeira da ilha. Aliás, cabe aqui um parêntese pra falar das palavras que o Singalês contemporâneo herdou do português. "Banco", "Sapato" e... adivinhem só: "BÊBADO"!!!!!

Bom, Kandy só não resistiu aos ingleses que, esses sim sabiam invadir um país!
Bem-vindos a Kandy, e lá estão os ônibus de milnovecentos e antigamente, que dividem a paisagem desta região do mundo com os tuc-tucs e outdoors de telefonia celular!
Eis uma vista de Kandy do alto, com seu belo lago "à Quitandinha". A jóia da coroa do passeio foi um show cultural -- bem pra turista, mas era isso que éramos ali mesmo, então pra que reclamar? -- com percussões (incríveis!!!!) e vários tipos de danças típicas do Sri Lanka!


Tuesday, November 4, 2008

Um elefante... setenta elefantes...



Um dos passeios que fizemos pelo adorável território do Sri Lanka (uma ilha oval não muito maior em área do que o Estado do Rio de Janeiro) foi a um lugar chamado Pinnawala: um orfanato de elefantes!!! Mais de setenta elefantes, recolhidos ali por terem perdido suas famílias, ou se machucado gravemente, em geral como resultado de suas interações com a espécie humana. Quanto a estas interações cabe chamar atenção para minas terrestres (o país está em guerra civil contra separatistas do extremo norte, membros radicais da etnia Tamil, originária do sul da Índia) e caçadores. O elefante que está prestes a engolir (com casca e tudo) o belo abacaxi acima é cego dos dois olhos. Aparentemente obra de um caçador.
Pra quem está curioso, eis aqui um mapinha do país (Nossa base era Colombo, a capital, e Pinawella fica próximo a Kandy -- assunto para um próximo post).


Abaixo estão José, Cacá e Ricardo sobre um cenário paquidérmico inesquecível.
Cacá em momento família.
Banho de rio!

Indescritível chegar tão perto, tocar mesmo, estes enormes, pacientes e algo tristes animais. É forte, bonito, mas ao mesmo tempo um tanto melancólico, como todo cativeiro.


Sunday, November 2, 2008

Sri Lanka: 8 shows seguidos!

Nossas apresentações no Sri Lanka foram uma co-produção da embaixada Brasileira e do Cinnamon Grand Hotel, considerado o melhor hotel de Colombo. Os hotéis nesta parte da Ásia são muito mais do que locais de repouso e conforto para turistas. Suas instalações luxuosas servem de ponto de encontro para a elite local, inclusive (e surpreendentemente) a juventude modernex, que vai papear com os amigos e tomar refrigerante ao som de bandas cover de música americana, ou do indefectível piano-bar (a depender do horário).

Nos nossos shows o público era bem, bem variado. A maioria, estrangeiros. Sempre uma mesa da embaixada Brasileira, animada pela presença constante do próprio embaixador Pedro Bório (figura incrível, acolhedor, entusiasmado -- merece um post inteiro, que virá em breve) e, felizmente, sempre algumas mesas de Srilanqueses (???) -- que reagiam com deliciosas risadas às nossas tentativas de falar algumas palavras em seu idioma: o Singalês.

Aí vão algumas destas palavras:
- Ayubhowan: é uma palavra-símbolo nacional. Significa boas-vindas, é um acolhimento respeitoso e amável (que é, realmente a cara desse país!)
- Stuthi (posso estar cometendo barbaridades com a ortografia, viu? Me perdoem): Obrigado.
- Nyemay! É uma gíria para dizer que algo é muito bom. Deve equivaler ao nosso "beleza!"
- Wahinawa. Está chovendo. Só quem viveu monções uma vez na vida sabe o quanto esta palavra pode ser importante... Nossa semana em Colombo se deu durante um período que eles chamam de "Monções tardias", que não chegam a ser uma monção plena, mas é água que não acaba mais nunca!!!

Aí vão algumas fotos dos nossos shows:






as fotos abaixo foram feitas pela Andrea, uma amiga que conhecemos em Colombo, esposa de um dos diplomatas brasileiros daqui, fotógrafa aspirante e bem talentosa! Valeu Andrea!!!









Por fim, o figurino das garçonetes (combinando com a decoração do buffet, com suas araras de papier marché!)


Thursday, October 30, 2008

Sri Lanka: 5 estrelas.

O lugar onde passamos a boa parte do nosso tempo no Sri Lanka foi o Cinnamon Grand Hotel. Um hotel 5 estrelas e, apesar disso, extremamente simpático. Serviço, atendimento, instalações de padrão absolutamente internacional. Um público também internacional. Árabes, indianos, europeus, chineses, japoneses... Moças muçulmanas cobertas de preto dos pés à cabeça, moradores abastados de Colombo, capital do Sri Lanka, que frequentam o hotel para ouvir bandas cover de músicas americanas do ano 60, mais os onipresentes chineses, alemães, ingleses, cingapuranos (?), japoneses, viajantes a negócios e de férias. Tínhamos muitos ensaios pra fazer, sono pra recuperar, shows todo dia -- resultado: moramos no hotel.





Esta foto é do salão onde nos apresentamos durante os oito dias do evento entitulado "Brazilian Food Promotion". Nós e um grupo de chefs, trazidos de Brasília, demos o tom de um evento que mostrou uma boa fatia de cultura brasileira num país onde só nosso futebol chega aos ouvidos das pessoas.



Taí o quinteto cantando a "Receita de Canção" num dos oito dias do evento no hotel!


café da manhã com coco legítimo!!!

Saturday, October 25, 2008

Rio de Janeiro - Sri Lanka


Correria, último ensaio, empacotar os instrumentos, organizar a casa e... Lá vamos nós pra uma jornada de mais de 30 horas, com escala (atribulada) em Paris e muito, muito tempo de avião.


O time está especialmente afinado, pessoal e musicalmente. Pessoas muito diferentes, mas com um amor imenso pela música, uma disposição incansável pro trabalho, e um senso de humor a toda prova, que tornam o convívio um deleite!

Essa foto aí em cima foi tirada no aeroporto de Paris, durante nossa correria de conexão Air France - Sri Lankan Airways. Aparentemente a conexão não foi corrida só pra nós, já que os pobres funcionários da Air France não conseguiram encaminhar todas as nossas malas para o avião da Sri Lankan. E as congas do Jose chegaram rachadíssimas.

Bom, este é o início do blog da viagem. Vamos dar uma corrida contra o tempo pra contar um pouco dessa primeira semana no Cinnamon Grand Hotel em Colombo, os shows, os papos com nosso encantador embaixador, as palavras que aprendemos em Singalês (o idioma local), as comidas, o programa que gravamos para a MTV local (MAHARAJ TELEVISION!!!), os shows, os motoristas de tuc-tuc (um taxi de três rodas muito comum por aqui) sempre atrás da nossa grana, os belos templos budistas...

Enfim, está feita a convocação. Rapaziada, vamos escrever!!!