Se a gente considera que há uns tantos anos atrás os caras dependiam dos ventos e de ferramentas de navegação precárias pra cruzar um oceano com suas trombolhudas embarcações... se a gente considera que Moisés levou 40 anos pra cruzar o deserto na direção da terra prometida...
...tudo é questão de ponto de vista, né? Há de haver uma perspectiva positiva possível para compreender o fato de que NENHUM dos vôos dessa turnê transcorreu totalmente sem acidentes!
Falemos de Colombo - Goa. Depois de passar pelas intermináveis burocracias do aeroporto de Colombo (tive que entregar um documento especial dizendo que estávamos levando embora a alfaia da Glória que, por algum motivo, foi considerada importação passível de imposto na nossa entrada no país -- ao contrário de todos os outros instrumentos, que entraram sem problemas -- mas isto já é outra novela...) já na porta de entrada para o avião, as luzes do aeroporto apagam, quase todas, e num corre corre agoniado, em meio a soldados armados, somos todos, em desordenado rebanho, reconduzidos de volta ao saguão de entrada do aeroporto. Todos os passageiros de todos os vôos no saguão do aeroporto. Luzes semi-apagadas. Linhas telefônicas congestionadas. Todos os funcionários do aeroporto tentando ligar para alguém. Informações desencontradíssimas. Um sujeito de um quiosque de câmbio me diz que algum ataque havia acontecido na cidade, e que o aeroporto havia sido apagado por precaução. Outro só fala que faltou luz. Ficamos nesta suspense brava por quase duas horas, até que, com a mesma ausência de explicações que marcou o início do episódio, as luzes do aeroporto são acesas novamente e somos reconduzidos ao portão de embarque, e a nosso avião.
Bom, este foi só o início da novelinha. Chegamos ao gigantesco aeroporto de Mumbai (que na verdade são dois -- um internacional e um doméstico) a tempo de perder espetacularmente nossa conexão e sermos convidados a uma espera de seis horas no aeroporto, tudo isto para tentar a sorte na fila de espera do próximo vôo da Air Índia. A companhia que nos havia levado até ali, SriLankan Airlines, não atendia o telefone.
Bom, pachô, pachô, ponto, ponto...


